Cada um tem o frigorífico que merece08/02/2010
Pensando nessas palavras, comecei a desfiar o emaranhado, a teia de aranha, em que se encontram os produtores rurais brasileiros para poder produzir o gado gordo e, quando pronto, entregá-lo a um frigorífico. Tentei, então, separar as dificuldades dessa entrega, no intuito de poder encontrar mais facilmente as soluções. Há muitos anos, o comentário geral entre os produtores rurais é de que a grande maioria dos frigoríficos brasileiros está em nome de laranjas. Quando estes "quebram" é que os produtores ficam sabendo que o dono era um peão, um coitado, que não sabia de nada. Os que se passavam por donos sumiram, e, pior, arrendam outro frigorífico em outra região e começam tudo de novo. Quanto ao Funrural, de responsabilidade dos produtores e retido pelos frigoríficos no momento do abate, a desconfiança de que não é por estes repassado ao governo, seja por força de liminares ou por apropriação indevida, também é assunto frequente em conversas de produtores. A imprensa volta e meia divulga a liberação de financiamentos, por parte de instituições financeiras públicas, aos frigoríficos, em volumes até ininteligíveis para os produtores rurais brasileiros. Frigoríficos brasileiros tornam-se os maiores do mundo e adquirem outros em diversos países, de modo a levar pessoas que já foram do ramo à incredulidade, tamanha a voracidade para as aquisições e a capacidade de, até outro dia pequenas empresas, passarem a adquirir enormes conglomerados multinacionais. E, dentro do país, os frigoríficos "quebram" e dão prejuízos incalculáveis ao meio. Somente nos últimos anos, mais de 100.000 cabeças de gado e aproximadamente R$ 100 milhões foram "perdidos" pelos produtores. Após a recente promulgação da nova lei de concordatas, agora chamada de "Recuperação Judicial", as "empresas" chegam a propor pagamentos com 10, 20 anos de prazo, e os "pacíficos" acabam concordando. Outras separam os credores em dois grupos, os "amigos", que continuaram o fornecimento após o pedido de concordata, e os "outros", que deixaram de fornecer. Uns recebem à vista, ou em menor prazo, e, os outros, a perder de vista. E não entendo como esse produtor ainda resiste à sugestão dos que, como eu, há muito tempo pregam um novo modelo de negociação, onde o boi só pode ser vendido à vista e no peso vivo. A realidade dos fatos mostra que, em toda essa história, nenhum "dono" de frigorífico é preso ou fica pobre. Pobre fica o produtor que vendeu seu produto para honrar seus compromissos e ficou sem o gado e sem o dinheiro. Nesse modelo de negociação, tenho que concordar com o Zeito, ao ficar admirado de ainda não haver morrido ninguém. Lembro do ditado "cada um tem o governo que merece" para dizer: "cada um tem o frigorífico que merece". Fonte: MNP Autor: JOAO BOSCO LEAL
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